DOENÇAS TRANSMITIDAS POR CARRAPATOS

CARRAPATOS (Febre Maculosa, Babesia, Doença de Lyme e Erlichiose)

Carrapatos são parasitas capazes de infestar as mais diferentes espécies de animais: répteis, anfíbios e mamíferos; inclusive os cães, gatos e seres humanos. São de grande importância médico-veterinária, pois além de causar desconforto como irritação e coceira, podem transmitir várias doenças. 

Com o passar dos anos, o desenvolvimento de novos meios de diagnóstico permitiram identificar inúmeras doenças transmitidas pelos carrapatos não apenas aos animais domésticos e selvagens, mas também aos seres humanos. Desde então, a importância da adoção de medidas preventivas (profiláticas) contra a infestação por carrapatos tem aumentado em todo o mundo.

Ciclo do Carrapato

O carrapato não precisa permanecer sobre o hospedeiro durante toda sua vida, indo frequentemente ao solo para sofrer mudanças de faseou fazera postura dos ovos. As fêmeas, depois de fecundadas e ingurgitadas (cheias de sangue) desprendem-se do hospedeiro e caem no solo para colocar seus ovos.

Após a eclosão dos ovos no meio ambiente surgem as larvas do carrapato, as quais sobem pelas gramíneas e arbustos na busca de um novo hospedeiro. Este ciclo de desenvolvimento pode variar de acordo com cada espécie de carrapato, mas em geral leva de 15 a 21 dias, havendo a passagem do carrapato pelas fases de larva, ninfa e adulto.

Quando se trata de controle de carrapatos, a diminuição da infestação do ambiente é primordial. Deste modo, a utilização de produtos específicos no ambiente (acaricidas), ou ainda, a realização da poda da vegetação e retirada de lixo é fundamental para eliminar os focos do parasita nos quintais e áreas livres por onde os animais circulam.

Doenças

A perda de sangue é uma questão importante quando se trata das infestações por carrapatos. As fêmeasde algumas especies consomem mais de 8 mL de sangue. Em alguns casos, as infestações por carrapatos atingem tal magnitude que os animais morrem por causa da perda de sangue ou por tornarem-sesusceptíveis a outras doenças devido ao estado debilitado.

Os carraptos podem transmitir várias doenças tanto aos animais quanto aos seres humanos, podendo causar doenças graves e muitas vezes fatais. Dentre as mais comuns pode-se citar: babesiose canina, erliquiose, doença de lyme e a febre maculosa.


A Erliquiose Canina é uma doença transmitida por carrapatos aos cães, mas existem relatos de gatos e seres humanos infectados por diferentes espécies de Ehrlichia sp (uma bactéria que vive obrigatoriamente dentro das células causando um tipo de infecção crônica). 

:: Qual é o vetor da doença?


O principal vetor da enfermidade é o carrapato marrom do cão (Rhipicephalus sanguineus). No entanto, a infecção também poderá ocorrer no momento de transfusões sangüíneas, através de agulhas ou instrumentais contaminados. O mesmo carrapato pode transmitir a babesiose, que em algumas situações pode ocorrer juntamente com a Erliquiose.

:: Sintomas

Os sinais clínicos são variáveis, destacando-se o aumento do volume de gânglios (linfonodos), aumento do fígado e aumento do baço, bem como alterações no sangue. Portanto, desta forma, os animais se encontrarão em um quadro de febre intensa, dificuldades respiratórias, alterações neurológicas, petéquias e equimoses. Lembrando-se que na fase crônica, poderá apresentar perda de peso progressiva, palidez em mucosas e sangramentos espontâneos.

Dentre os principais sintomas dos animais doentes estão:

* Prostração * Sangramentos (nasal, na pele etc)

* Falta de apetite * Desenvolvimento de anemia grave.



:: Diagnóstico e Tratamento

O médico veterinário pode fazer o diagnóstico por meio de exames laboratoriais e o tratamento é realizado com medicamentos específicos.

Do mesmo modo que a babesiose canina, atualmente não existem vacinas disponíveis no mercado para prevenção da doença que, devido a sua gravidade, deve ser prevenida por meio de um controle restrito da infestação por carrapatos.

O objetivo do tratamento é curar os animais doentes e prevenir a manutenção e a transmissão da doença pelos portadores assintomáticos (fase sub-clínica e crônica). O antibiótico conhecido como "DOXICICLINA" é considerado o principal medicamento no tratamento da Erliquiose em todas as suas fases.


:: Qual a duração do tratamento?


Os critérios para o tratamento variam de acordo com a precocidade do diagnóstico, da severidade dos sintomas clínicos e da fase da doença que o paciente se encontra quando do início do tratamento. O tratamento na fase aguda pode durar até 21 dias e na fase crônica até 8 semanas.

:: Qual o prognóstico da doença?


O prognóstico depende da fase em que a doença for diagnosticada e do início da terapia. Quanto mais cedo se diagnostica e se inicia o tratamento, melhores são as chances de cura. Em cães nas fases iniciais da doença, observa-se melhora do quadro clínico após 24 a 48 horas do início do tratamento.

:: Como prevenir a doença?


A prevenção da doença é muito importante nos canis e no locais de grande concentração de animais. Devido a inexistência de vacina contra esta enfermidade, a prevenção é realizada através do tratamento dos animais doentes e do controle do vetor da doença: o carrapato. Para tanto, produtos carrapaticidas ambientais e de uso tópico são bastante eficazes.

:: Esta doença pode ser transmitida para o homem?


Sim. Apesar de até hoje não existirem evidências de que a E. canis possa ser transmitida para o homem, existem outras espécies de Ehrlichia que podem ser transmitidas, pelo carrapato, para os cães e para o homem. Os casos de Erliquiose humana vêm aumentando muito em países como os Estados Unidos. No Brasil, esta doença ainda é pouco diagnosticada em humanos.


A Febre Maculosa é uma doença febril aguda, de gravidade variável, causada por uma bactéria transmitida por carrapatos. É uma doença que ataca homens e animais (entre eles, o cão) e pode levá-los à morte. Essa doença provém de uma bactéria chamada Ricketsia rickettsii. Quem "transporta" essa bactéria é o carrapato - o vetor, mais especificamente o da espécie Amblyoma cajennense, também conhecido como "carrapato-estrela", "carrapato-de-cavalo" ou "rodoleiro". 
As fêmeas de carrapatos podem pôr de cinco mil a oito mil ovos antes de morrerem e, os carrapatos infectados pelas bactérias irão transmitir a doença. 

Diversos outros animais ajudam a manter o ciclo da doença. Isso se aplica aos animais de companhia como cães e gatos, aves domésticas (galinhas e perus) e outros mamíferos como cavalo, boi, carneiro, cabra, porco, capivara etc. 

Como ocorre a transmissão da doença 

A febre maculosa é transmitida pelo carrapato infectado. A partir de quatro a seis horas após a sua fixação, a doença já pode ser transmitida. Ao contrário do que muitos pensam, os "carrapatinhos" ou "micuins" são as larvas do mesmo carrapato-estrela, e não necessariamente de outra espécie de carrapato. Da mesma forma, os "vermelhinhos" são as ninfas (formas intermediárias do ciclo de um mesmo carrapato). O homem é intensamente atacado nas fases de larvas e ninfas que podem transmitir a febre maculosa. 

Após a picada pelo carrapato infectado, existe um período de incubação da doença, o qual pode durar de 2 a 14 dias. Há inúmeros relatos de mortes em várias cidades do estado de São Paulo e outras regiões do Brasil. 

Principais sinais e sintomas da Febre Maculosa no homem 

A doença começa subitamente com a presença de: 

.:. Febre alta, 

.:. Dores de cabeça, 

.:. Dores musculares, 

.:. Geralmente, no quarto dia surgem manchas róseas nas extremidades, em torno do punho, tornozelo, tronco, face, pescoço, palmas das mãos e solas dos pés. 

Alguns casos podem ser extremamente graves, ocorrendo necrose (morte) de tecidos. Nota-se inchaço das pálpebras e rosto, bem como das pernas, que apresentam aparência brilhante. Tosse e queda de pressão são frequentes. 

Um dos problemas mais graves no diagnóstico da Febre Maculosa está na semelhança dos seus sintomas iniciais (febre, dor de cabeça etc) com o de outras doenças mais comuns, como a gripe. Isso faz que as pessoas muitas vezes não procurem o tratamento adequado no início do processo e a doença evolua para um quadro mais grave. Cerca de 80% dos indivíduos com forma grave, se não diagnosticados e tratados a tempo, evoluem para óbito. 

O tratamento se faz com antibióticos, além de outros cuidados por causa de possíveis complicações, principalmente renais, neurológicas e pulmonares. 

Como minimizar o risco de transmissão da Febre Maculosa 

Cães e gatos são animais extremamente propícios à infestação por carrapatos, mantendo esses parasitas no ambiente doméstico. É impossível exterminar definitivamente os carrapatos, visto que eles podem ser trazidos por roedores e aves, além de possuírem um ciclo muito longo. O carrapato é um parasita extremamente resistente ao ambiente. Um único carrapato pode sobreviver por até dois anos, desenvolvendo seu ciclo. 

Esteja sempre atento quando visitar locais propícios à existência de carrapatos como sítios, fazendas, jardins etc. Atualmente, com a maior proximidade dos animais nos lares e a constante realização de passeios em locais infestados, as pessoas correm mais riscos de se infectar, se não houver um programa de controle adequado. 

Mantenha seus animais de estimação sempre protegidos contra carrapatos! Diminuir ao máximo a possibilidade de os carrapatos sobreviverem nos animais é uma das maneiras mais eficazes de manter a segurança de seu animal de estimação e de sua família.


A doença de Lyme é uma infecção transmitida por carrapatos aos cães e seres humanos (principalmente por ninfas do carrapato Ixodes scapularis nos EUA e Ixodees ricinus na Europa), causada por uma bactéria espiroqueta chamada Borrelia burgdorferi. A figura ao lado mostra o Ixodes scapularis. 
:: Sintomas

A doença manifesta-se com uma irritação no local da picada podendo desenvolver uma lesão de pele (mancha rosada) que vai aumentando com o tempo. Podem aparecer náuseas, dores de cabeça, na nuca, nas músculos, febre e cansaço. Se não houver tratamento, a doença de Lyme poderá atingir o sistema nervoso central provocando meningite, paralisia da face, problemas cardíacos, artrites, etc.


A infecção pode causar o acometimento de diversos órgãos, inclusive a pele, o sistema nervoso, o coração e as articulações. Nos seres humanos pode haver ainda o surgimento de lesões eritematosas na pele (avermelhadas) que evoluem de forma centrífuga do local da picada do carrapato (chamado de eritema migratório), no entanto, esse achado nem sempre é frequente. Em cães, os sintomas mais comuns são dor articular aguda, letargia e febre.

A doença de Lyme é considerada atualmente a doença transmitida nos EUA, com quase 90.000 casos registrados os Centros de Controles de Doenças em 49 estados entre 1992 e 1998. Neste país existem vacinas contra a doença de Lyme, no entanto, a única forma de prevenção ainda é o controle dos carrapatos.

No Brasil, a doença de Lyme já foi diagnosticada em cães na cidade de São Paulo, nos municípios da Baixada Fluminense (estado do Rio de Janeiro) e em áreas rurais do estado do Rio de Janeiro. A doença também já foi diagnosticada em humanos.

:: Prevenção
Uso de roupas claras cobrindo a maior parte da pele e botas altas quando em expedições à floresta, uso de repelente de insetos. As calças devem ser colocadas dentro das meias para evitar essa porta de entrada aos carrapatos. Os carrapatos, se encontrados devem ser retirados imediatamente da pele da forma apropriada, se possível por alguém com experiência. Se não houver ninguém nas imediações, devem ser usadas pinças ou queimar levemente a cabeça do carrapato com isqueiro ou cigarro aceso de forma de que ele saia por si mesmo. Se em zona endêmica é aconselhável a consulta médica.


:: Diagnóstico e Tratamento
O disgnóstico é um teste ELISA de detecção de anticorpos específicos contra a espiroqueta. A cultura é extremamente difícil assim como a visualização microscópica, já que não absorvem cores. A PCR é usada por vezes.

Apesar de todos os estágios da doença de Lyme responderem aos antibióticos, o tratamento precoce previne mais adequadamente as complicações. Nos estágios I ou II, os antibióticos amoxicilina, cefuroxima, eritromicina, doxiciclina ou macrolídio podem ser administrados pela via oral. Na doença avançada, grave ou persistente, são administrados antibióticos pela via intravenosa. Na fase III, utiliza-se ceftriaxona. Os antibióticos também ajudam a aliviar a artrite, embora possa ser necessário prolongar o tratamento por até 3 semanas. A aspirina ou outros anti-inflamatórios não esteroides aliviam a dor das articulações inflamadas. O líquido acumulado nas articulações afetadas pode ser drenado.
A Babesiose Canina é uma grave doença causada por um protozoário Babésia canis, capaz de causar infecção dos glóbulos vermelhos dos cães e anemia grave. Esta doença pode ser transmitida aos cães por várias espécies de carrapatos e dentre eles, o Rhipecephalus sanguineus (carrapato vermelho do cão) é o principal responsável pela transmissão do agente. :: Sintomas

O mais comum é que, no homem, as infecções ocorram devido à infecção por Babésia micro ti, que é transmitida pelo carrapato I. sapularis. Foram registrados inúmeros casos, inclusive co-infecção com Borrelia burgdorferi (doença de Lyme) em pessoas.

Os animais doentes podem apresentar prostração, tristeza e emagrecimento progressivo. O diagnóstico da doença é feito pelo Médico Veterinário, que pode tratar os animais com medicamentos específicos.

Não existem vacinas disponíveis contra a babesiose canina e a melhor forma de prevenção da doença é o controle da infestação por carrapatos.

Fonte: 
1) Informativo Merial: "Doenças transmitidas por carrapatos"


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